segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Quando não há palavras

Quando não há palavras
Não sei por onde começar,
as palavras tropeçam antes de nascer.
O coração fala alto,
mas a boca não acompanha.

Trago silêncio,
trago cansaço,
trago esse emaranhado de pensamentos
que não viram oração.

Ainda assim, me aproximo.
Sem frases bonitas,
sem promessas organizadas,
sem saber o que dizer.

Se Tu lês o que não falo,
então este silêncio já basta.
Se Tu entendes o que pesa,
então este suspiro já chega.

Recebe o que sou agora,
não o que ensaiei ser.
Mesmo sem começo,
fico aqui.



Há dias em que a oração não vem em frases. Vem em silêncio, em peso no peito, em um cansaço que não sabe se explicar. E tudo bem. Deus não depende da nossa eloquência. Ele não espera discursos bem estruturados, mas um coração verdadeiro.

Quando você não souber por onde começar, comece ficando. Permaneça. O silêncio diante de Deus também é linguagem. Ele entende o que ainda não virou palavra e acolhe o que você nem conseguiu organizar.

A oração não começa na boca. Começa na honestidade.


29/12/2025

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Os doze espias

"Números, cap. 13 Versos 25 a 33 - Ao fim de quarenta dias, eles voltaram de sondar a terra. Ao chegarem, apresentaram-se a Moisés e a Arão, e a toda a comunidade dos israelitas, no deserto de Parã, em Cades; então relataram tudo a eles e a toda a comunidade e mostraram-lhes o fruto da terra. E, prestando contas a Moisés, disseram: Fomos à terra à qual nos enviaste. Ela, de fato, dá leite e mel; e este é o seu fruto. Contudo o povo que habita nessa terra é poderoso, e as cidades são fortificadas e muito grandes (...) Então Calebe fez o povo calar-se diante de Moisés e disse: Temos de subir e nos apoderar dela, pois com certeza conseguiremos prevalecer contra ela. Mas os homens que haviam subido com ele disseram: Não conseguiremos subir contra aquele povo, porque é mais forte do que nós. Então, depreciaram diante dos israelitas a terra que haviam sondado: A terra por onde passamos para conhecê-la é uma terra que devora os seus habitantes; e todos os que vimos nela são homens de grande estatura. Também vimos ali os nefilins; e éramos como gafanhotos aos nossos próprios olhos e também aos olhos deles."



"Números, cap. 14 versos 1 a 9 - Então toda a comunidade levantou a voz e gritou; e o povo chorou naquela noite. E todos os israelitas murmuraram contra Moisés e Arão; e toda a comunidade lhes disse: Seria melhor se tivéssemos morrido na terra do Egito. Seria melhor se tivéssemos morrido neste deserto! Por que o SENHOR nos trouxe a esta terra para cairmos à espada? Nossas mulheres e nossas crianças serão capturadas. Não seria melhor voltar para o Egito? E diziam uns aos outros: Escolhamos um chefe e voltemos para o Egito. Então Moisés e Arão prostraram-se com o rosto em terra diante de toda a assembleia da comunidade dos israelitas. E Josué, filho de Num, e Calebe, filho de Jefoné, que faziam parte dos que haviam sondado a terra, rasgaram suas roupas e falaram a toda a comunidade dos israelitas: A terra por onde passamos para conhecê-la é extraordinária. Se o SENHOR se agradar de nós, então nos estabelecerá nessa terra e a dará para nós, terra que dá leite e mel. Apenas não sejais rebeldes contra o SENHOR e não temais o povo dessa terra, pois será comido por nós como pão. Eles estão sem defesa, e o SENHOR está conosco. Não os temais."


Nos capítulos 13 e 14 do livro de  Números nós nos deparamos com doze espias - onde dez foram incrédulos e dois não. Calebe e Josué creram enquanto os demais não. No entanto os doze espias estavam expostos ás mesmas circunstâncias e todos eles viram a terra (a recompensa) quanto também os gigantes (o obstáculo), mas a reação de dois dos espias foram diferentes, eles tiveram fé na Palavra de Deus. Ora, se Deus havia dito que daria a eles uma terra é porque Ele faria isso, eles tinha confiança no que foi dito por Deus. Todo o povo de Israel viram os sinais no Egito, todos viram o mar se abrir, todos comeram do maná, todos viram a nuvem de dia e a coluna de fogo de noite que estavam com eles por onde caminhavam, eles viram as manifestações de Deus e ouviram Deus, eles viram maravilhas e mesmo diante de tudo o que Deus havia realizado no meio deles, somente Josué e Calebe permaneceram com fé. 

E atualmente não é diferente, o cenário não mudou, e provavelmente não irá mudar; nós teremos que conviver em meio aos incrédulos e crédulos, se considerarmos a mesma proporção a respeito do que aconteceu, teríamos que conviver na igreja com 83% de pessoas incrédulas e apenas 17% de pessoas que de fato acreditam e confiam em Deus independentemente das circunstâncias, se o cenário de Números se repetisse, esta seria a estatística atual. Vejamos outro problema, quando os espias incrédulos disseram que não era possível conquistar a terra, eles conseguiram desanimar todo o povo. De modo que o povo murmurou e temeu preferindo, se possível, retornar ao Egito. A pergunta que precisamos fazer e pensar a respeito são: qual é o relatório que estamos ouvindo? Será que não tem nos feito desanimar? E, por outro lado, qual o relatório que nós temos dado? Será que não temos feito os outros desanimarem também? Enfim... que Deus nos ajude a ter fé, e não somente ter a fé mas permanecer na fé.

att,
Priscila G.
16-02-17


domingo, 5 de fevereiro de 2017

Eu sou o Senhor. Crês nisso?

"Fala aos israelitas: Eu sou o SENHOR vosso Deus.
Não imitareis os costumes da terra do Egito, onde habitastes, nem imitareis os costumes da terra de Canaã, para a qual eu vos levo; não andareis segundo seus estatutos. Obedecereis aos meus preceitos e guardareis os meus estatutos, para andardes neles. Eu sou o SENHOR vosso Deus. Guardareis os meus estatutos e as minhas normas, pelas quais o homem viverá, se obedecer a eles. Eu sou o SENHOR. Portanto, guardareis o meu mandamento para que não venhais a cair em nenhum desses costumes repugnantes praticados antes de vós, e para que não vos contamineis com eles. Eu sou o SENHOR vosso Deus." (Levitíco 18:1-5,30)
"Jesus lhe respondeu: Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém chega ao Pai, a não ser por mim" (João 14:6). "Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, diz o Senhor, que é, e que era, e que há de vir, o Todo-Poderoso"(Apocalipse 1:8). "Eu sou o pão da vida; quem vem a mim jamais terá fome, e quem crê em mim jamais terá sede" (João 6:35) ."Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida" (João 8:12)."Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim, será salvo. Entrará e sairá, e achará pastagem" (João 10:9). "Eu sou a videira; vós sois os ramos. Quem permanece em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer" (João 15:5). "Eu sou a raiz e a geração de Davi, a resplandecente estrela da manhã" (Apocalipse 22:16). "Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, mesmo que morra, viverá; e todo aquele que vive, e crê em mim, jamais morrerá. Crês nisso?" (João 11:25).
"Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou odiará a um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro." (Mateus 6:24)
Eu sou o Senhor vosso Deus. Eu sou o Senhor. Eu sou o caminho. Eu sou a verdade. Eu sou a vida. Eu sou o alfa. Eu sou o Ômega. Eu sou o principio. Eu sou o fim. Eu sou o que era. Eu sou o que há de vir. Eu sou o todo poderoso. Eu sou o pão da vida. Eu sou a luz do mundo. Eu sou a porta. Eu sou a videira. Eu sou a raiz e geração de Davi. Eu sou a estrela da manhã. Eu sou a ressurreição. Eu sou a vida! Portanto, não imiteis os costumes da terra do Egito; não imiteis os costumes da terra de Canaã; não imiteis as obras do deus deste século "entre os quais cegou a mente dos incrédulos, para que não vejam a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus" (2 Co 4:4). Obedeça aos meus preceitos; guarde os meus estatutos; guarde as minhas normas. Siga-me e ...  encontrará o Pai; jamais terá fome; jamais terá sede; não andará em trevas; será salvo; achará pastagem; será frutífero; e viverá! Crês nisso? 

Yeshua é o nosso exemplo a ser seguido. Ele é o Messias, o verbo que se fez carne. Yeshua cumpriu toda a lei. Ele é o cordeiro de Deus que morreu como sacrifício pelos nossos pecados. Ele é o Senhor nosso Deus, somente em Yeshua encontraremos vida, abrigo e segurança. Yeshua é o Deus-Homem a quem nós devemos imitar. 

Entretanto, nós insistimos em imitar as obras do deus deste século; nós insistimos em andar segundo o curso deste mundo; nosso coração permanece dividido entre dois senhores, mas o fato é que um desses senhores tem sido amado e o outro não, um tem recebido muito da nossa dedicação e o outro não. Nosso coração permanece endurecido para as leis do Senhor porque ainda estamos fascinados pelas leis do mundo. 

Oh Deus, tenha misericórdia de nós, e não desista de nós! E que nós sejamos impactados pela Obra de Cristo, que nós venhamos conhecê-lo e imita-lo, porque Ele, e somente Ele, é o caminho que nos guia até Deus. Yeshua, Deus-homem, viveu a verdade, a justiça e o amor. Se fez servo para que nós aprendêssemos a servir, a amar, a sermos justos e santos como Ele é. 

Deus abra nossos olhos! Deus inscreva as suas leis em nosso coração como foi profetizado pelo profesta Jeremias "Porei a minha lei na sua mente e a escreverei no seu coração. Eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo"(Jeremias 31: 33). Escreva sua lei em nossos coração, Senhor, para nós não pecarmos contra Ti. Abra os nossos olhos para que sejamos fascinados por você, DEUS! Precisamos de você, YESHUA!


Chris Tomlin - I Will Follow  (Eu vou seguir)


05-02-17 
Priscila G. 

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Voce já leu a Bíblia Hoje?

Hoje é dia de eu compartilhar uma mensagem no "culto do lar" que temos feito a alguns meses em nossa casa. Nessa reunião, a cada semana é uma pessoa diferente que compartilha uma mensagem, e nós somos no total em quatro pessoas, meu pai ainda não participa, mas espero que Deus um dia possa fazer do meu pai um homem segundo o coração de Deus. Enfim, a mensagem que hoje vou compartilhar é uma compilação de duas mensagens que já postei anteriormente neste blog ( A Bíblia e Você ja leu sua bíblia hoje?) - Iremos falar sobre leitura bíblica. Que nós possamos valorizar mais esta Palavra inspirada por Deus e que por meio dela sejamos aperfeiçoados em Cristo Jesus. 

VOCÊ JÁ LEU A BÍBLIA HOJE? 
Essa pergunta é para mim e para você. Você já leu a bíblia hoje? E ontem? E ontem de ontem? E, por que não leram?A reposta talvez seja - NÃO TIVE TEMPO, e após a resposta teríamos então as justificativas – trabalhei demais, estudei demais, tive que fazer isso ou aquilo, e quando eu percebi, o dia acabou e eu não consegui ler.  Ok. Vamos pensar um pouco:  a leitura de 1 capítulo/dia equivale em média a 15 minutos/dia, que equivale a 1% do nosso dia. Ok. Em um mês teríamos 420 minutos de 40320 minutos = 1% do nosso tempo dedicado á leitura bíblica.
Nós não temos tempo para ler a biografia de Deus, mas nós temos tempo para o facebook, whatsapp, e-mails, sites de compras, site de vídeos engraçados, televisão, música, visitar um amigo, ir numa praça, comer um lanche, viajar, ler outros livros, dormir à tarde... etc. A questão não é simplesmente a FALTA DO TEMPO, mas a questão aqui é - QUAL É A MINHA E A SUA PRIORIDADE? O QUE AS NOSSAS AÇÕES REVELAM A RESPEITO DA NOSSA FÉ? QUEM ou o QUE vem em primeiro lugar em sua vida? QUEM ou QUE ocupa o primeiro lugar em seu coração/mente?

JESUS nos ensinou a buscar o Reino de Deus em primeiro lugar (Mt 6:33). Mas em muitos casos JESUS permanece no segundo/terceiro lugar em nossas vidas.
Nós, discípulos de YESHUA, precisamos fazer da leitura bíblica um hábito e um prazer diário, assim como é comer e dormir - natural e prazeroso. Disciplina é a palavra chave. É importante conhecermos a Deus e sua história, ainda mais nos dias atuais quando surgem tantos falsos profetas, mestres e enfim ensinamentos falsos. Ok. Depois desta introdução vamos responder outra pergunta

Por que precisamos ler a bíblia?
1-      Oseias 4:6 – Para não sermos destruídos. Ou seja, seremos edificados.
2-      Mateus 22:29– Para conhecermos Deus.
3-      João 5:39-40;46-47 – Para termos vida eterna.  
4-      Salmos 1:1-3 – Para sermos frutíferos.
5-      Salmos 119:44, 97,105, 148,165,174 – Para andarmos na luz e não em trevas.
6-      Colossenses 2:8 – Para não sermos presas dos falsos mestres.
7-      2 Tm 3:16,17 – Para sermos ensinados, repreendidos, corrigidos, instruídos em justiça e por meio dela somos capacitados e preparados para realizar boas obras.

Os ímpios não buscam a Deus: “Pela altivez do seu rosto o ímpio não busca a Deus; todas as suas cogitações são que não há Deus”. Salmos 10:4
Como seremos purificados e transformados sem ler a Palavra de Deus?  “Os preceitos do Senhor são retos e alegram o coração; o mandamento do Senhor é puro, e ilumina os olhos”. Salmos 19:8

A BÍBLIA
Ela é santa, infalível, verdadeira e completamente leal. (Pv 30:5-6, Jo 1717, Sl 119:89)
Ela é capaz de me ensinar, repreender, corrigir e instruir em justiça. (2 Timóteo 3: 16)
Ela me torna apto e plenamente preparado para toda boa obra. (2 Timóteo 3: 17)
Ela é lâmpada para os meus pés e luz para o meu caminho (Salmos 119:105)
Ela me torna mais sábio que os meus inimigos. (Salmos 119:97-100)
Ela me traz estabilidade durante as tempestades da minha vida. (Mateus 7:24-27)
Se eu crer em sua verdade, serei liberto. (João 8:32)
Se eu a esconder em meu coração, serei protegido em tempos de tentação.
Se eu permanecer firme na Palavra, serei verdadeiramente um discípulo de Jesus. (Jo 8:31)
Se eu meditar em suas palavras, serei bem-sucedido. (Josué 1:8)
Se eu guardá-la, serei recompensado e o meu amor aperfeiçoado. (Sl 19:7-11, 1 João 2:5)
Ela é a viva, eficaz e penetrante Palavra de Deus. (Hebreus 4:12)
Ela é a Espada do Espírito. (Efésios 6:17)
Ela é mais doce que o mel e mais desejável que o ouro. (Salmos 19: 10)
Ela é indescritível e para sempre firmada no céu. (2 Coríntios 13:7-8, Salmos 119:89)
Ela é a verdade absoluta sem mistura e sem erro. (João 1717, Tito 1:2)
Ela contem verdades absolutas sobre Deus. (Romanos 3:4, Romanos 1625,27; Colossenses 1)
Ela contem verdades absolutas sobre os homens. (Jr 17:9, Salmos 8:4-6)
Ela contem verdades absolutas a respeito do pecado. (Romanos 3:23)
Ela contem verdades absolutas sobre a salvação. (Atos 4:12, Romanos 10:9)
Ela contem verdades absolutas sobre o céu e o inferno. (Apocalipse 21:8; Salmos 119:89)
(Fonte: Livro O Desafio de amar)

REFLEXÃO 
“Hoje muitas pessoas não conhecem a Jesus. Conhecem sim, o Jesus da televisão, do rádio, da internet, da revista, do filme, mas não conhecem o Jesus que é o Senhor, porque elas não têm o hábito de estar todos os dias buscando-o em sua Palavra, deixando que o Espírito Santo (João 16:14) revele quem é Jesus dia a dia para nossa vida. Por acharmos que já sabemos quem é Jesus, às vezes erramos. A única maneira de conhecermos Jesus, é através da sua Palavra e da revelação do seu Espírito Santo. O Apóstolo Paulo teve essa experiência, ele procurou em todo o Antigo Testamento conhecer e ver Jesus.”  (fonte: net)

ORAÇÃO 

"Senhor, abre os meus olhos para que eu veja a verdade e os meus ouvidos para ouvirem a verdade. Abra meu coração para recebê-la pela Fe. Renove a minha mente para guardar a esperança. Entrego a minha vontade para que eu possa viver a Tua Palavra em amor. Lembra-me que sou responsável quando a ouço. Ajuda-me a querer obedecer o que o Senhor diz através da Palavra. Transforme a minha vida para que eu venha conhecer a Tua Palavra. Aflija meu coração para que eu compartilhe a Tua Palavra. Fale agora Senhor. Da-me paixão para conhecer e seguir a Tua vontade. Nada mais. Nada menos. Apenas isso" (Fonte: O desafio de amar) 

Que “A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando ao Senhor com graça em vosso coração.” Colossenses 3:16

Priscila G. 


segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Cristo, um exemplo a seguir.

Ninguém tem maior AMOR do que este, de DAR (doar) alguém a sua vida pelos SEUS AMIGOS. Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando. Já vos não chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho feito conhecer. Não me escolhestes vós a mim, MAS EU VOS ESCOLHI A VÓS, e vos nomeei, para que vades e DEIS FRUTO, e o vosso FRUTO PERMANEÇA; a fim de que tudo quanto em meu nome pedirdes ao Pai ele vo-lo conceda. Isto vos manda: Que vos AMEIS UNS AOS OUTROS. João 15:13-17

Ninguém tem maior AMOR do que este, de DAR (doar) alguém a sua vida pelos SEUS AMIGOS.

Jesus entregou a sua vida por amor (João 3:16), e como resultado dessa entrega, nós fomos salvos – mediante a Cruz de Cristo. Portanto, Cristo é nosso referencial de entrega e de amor. Nós, como filhos de Deus, também recebemos essa missão: doar mais de nós aos outros. Que o nosso coração desperte para esse tipo de amor: Um amor que não é egoísta, que não visa seu interesse próprio, o amor que tudo suporta, tudo espera, o amor que não desiste, mas que confia (1 Co 13).


Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando.

A vontade de Deus é sempre boa, perfeita e agradável. Tudo quanto Jesus nos pede ou qualquer um de seus mandamentos é visando o bem e não o mal do homem. A lei é um meio que Deus criou para proteger o homem. Éramos escravos do pecado mas agora somos livres por meio de Cristo, andar de acordo com os mandamentos do Senhor significa viver uma vida em liberdade.

Já vos não chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho feito conhecer.

Creio que quando Deus nos chama de amigo e não mais servo, ele nos fala do nível de relacionamento que Ele deseja ter conosco. Um chefe normalmente não vai compartilhar da sua vida pessoal com o funcionário, mas um amigo sempre que possível compartilha conosco a respeito da sua vida pessoal. 

Temos em Cristo um exemplo de amizade sólida. Cristo teve um relacionamento transparente tanto com o Pai quanto com o seus amigos. E, este é o modelo que nós temos que seguir.

Não me escolhestes vós a mim, MAS EU VOS ESCOLHI A VÓS, e vos nomeei, para que vades e DEIS FRUTO, e o vosso FRUTO PERMANEÇA; a fim de que tudo quanto em meu nome pedirdes ao Pai ele vo-lo conceda.

Em seguida Jesus fala que não fomos nós que O escolhemos, pelo contrário, Ele olhou para nós primeiro, Ele nos escolheu primeiro. E como uma árvore frutífera, é assim que nós devemos ser. Precisamos dar fruto. E este fruto também precisa permanecer, em uma outra passagem, em um outro contexto, Jesus fala que pelo seu fruto o conhecereis. Ou seja, um falso profeta (e um falso cristão) é conhecido pelo fruto que produz. Pode acaso uma figueira produzir azeitonas? Não! 

O fruto do espírito, descrito nas cartas aos gálatas é amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. E conclui que se pedirmos algo em nome de Cristo, uma vez que permanecemos em Cristo, nós recebemos do Pai.

Isto vos manda: Que vos AMEIS UNS AOS OUTROS. João 15:13-17
John Mcalister, certa vez pregou sobre "Comunhão de uma igreja saudável", e ele apresentou alguns tópicos sobre o que seria amar uns aos outros:

  • Vivam em paz uns com os outros (I Ts 5:13).
  • Estejam ligados uns aos outros (Rm 12:5).
  • Dediquem-se uns aos outros (Rm 12:10).
  • Honrem uns aos outros (Rm 12:10).
  • Alegrem-se com os que se alegram. Chorem com os que choram (Rm 12:15).
  • Tenham uma mesma atitude uns com os outros (Rm 12:16).
  • Aceitem-se uns aos outros (Rm 15:7).
  • Aconselhem-se uns aos outros (Rm 15:14).
  • Saúdem uns aos outros (2 Co 13:12).
  • Concordem uns com os outros (1 Co 1:10) .
  • Esperem uns pelos outros (1 Co 11:33).
  • Tenham igual cuidado uns pelos outros (1 Co 12:25).
  • Sirvam uns aos outros (Gl 5:13).
  • Levem os fardos pesados uns dos outros (Gl 6:2).
  • Sejam bondosos e compassivos uns com os outros (Ef 4:32).
  • Perdoem-se mutuamente (Cl 3:13).
  • Sujeitem-se uns aos outros por temor a Cristo (Ef. 5:21).
  • Suportem-se uns aos outros (Cl 3:13).
  • Ensinem e aconselhem-se uns aos outros Cl 3:16).
  • Exortem-se e edifiquem-se uns aos outros (1 Ts 5:11).
  • Consideremos uns aos outros para nos incentivarmos ao amor e ás boas obras (Hb 10:24).
  • Sejam mutuamente hospitaleiros (1 Pe 4:9).
  • Cada um exerça o dom que recebeu para servir aos outros (1 Pe 4:10).
  • Sejam todos humildes uns para com os outros (Ef 4:2).
  • Confessem os seus pecados uns aos outros e orem uns pelos outros (Tg 5:16).

Porque qualquer que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, mas, qualquer que perder a sua vida por amor de mim e do evangelho, esse a salvará. Marcos 8:35 
Aquele que ama a cristo é capaz de "perder a sua vida". O amor é capaz de fazer isso, é uma chama que arde dentro de nós, é uma paixão que nos faz abrir mão do que for para estar com Cristo, amar Cristo, querer conhecer Cristo, desejar Cristo. É um amor que faz nosso coração queimar pela causa que faz o coração de Cristo queimar também! Somente o amor é capaz de abrir mão daquilo que nossa carne deseja, daquilo que é terreno: "Ora, as obras da carne são manifestas: imoralidade sexual, impureza e libertinagem; idolatria e feitiçaria; ódio, discórdia, ciúmes, ira, egoísmo, dissensões, facções e inveja; embriaguez, orgias e coisas semelhantes. Eu os advirto, como antes já os adverti, que os que praticam essas coisas não herdarão o Reino de Deus". (Gálatas 5:19-21)

O amor de Cristo nos leva a amar o outro e a doar pelo outro. O amor de Cristo transforma a nossa realidade, a nossa visão a respeito do outro. Não creio que seja algo mecânico apenas, forçado, mas é algo que á medida que nós buscamos em Cristo e pedimos, Ele molda o nosso coração e a nossa realidade.


No entanto, é preciso buscar de Deus discernimento - 2 Timóteo 3:5; 1 Coríntios 5:2,9-11 e Mateus 18:15-17 - para saber em que nós devemos de fato investir o nosso tempo, a nossa vida.  


Priscila G. 
(Palavra compartilhada na reunião do Lar no dia 23-12-16)

Salmos 77:19-20

A tua vereda atravessou o mar, e o teu Caminho, pelas águas poderosas. Guiaste o teu povo como a um rebanho pela mão de Moisés e de Arão. (Salmos 77: 19-20)
O milagre que foi operado fazendo o Mar Vermelho secar-se é aqui novamente descrito em fraseologia diferente. O que, propriamente falando, se refere aos israelitas se aplica a Deus, sob cuja proteção e diretriz passaram em seco pelo meio do Mar Vermelho. Declara-se que uma vereda lhes foi aberta de uma maneira estranha e inusitada; pois o mar não foi drenado pela habilidade humana, tampouco se abriu o rio Jordão em duas partes, deixando seu curso normal para formar um canal diferente, porém o povo passou pelo meio das águas nas quais Faraó e todo seu exército foram em seguida tragados. Neste relato diz-se que os passos de Deus não eram conhecidos, porque imediatamente após haver Deus feito o povo passar, ele fez com que as águas voltassem a seu curso costumeiro. O propósito para o qual isso foi efetuado é adicionado no versículo 20 - o livramento da Igreja: Tu guiaste teu povo como a um rebanho. E este livramento deve ser considerado por todos os santos como a oferecer-lhes uma melhor disposição para que nutram a esperança de segurança e salvação. A comparação do povo com ovelhas tacitamente sugere que em si mesmos estavam inteiramente destituídos de sabedoria, poder e coragem, e que Deus, em sua grande bondade, se condescendeu em exercer o ofício de pastor  guiando o povo pelo meio do mar e pelo deserto, bem como no meio de todos os demais impedimentos, seu pobre rebanho, o qual era destituído de todas as coisas, para que tomassem posse da herança prometida. Esta afirmação é confirmada quando se nos diz que Moisés e Arão eram pessoas empregadas em conduzir o povo. Seu serviço era sem dúvida nobre e digno de ser lembrado; Deus, porém, exibiu não pequeno grau da grandeza de seu poder quando contrasta dois indivíduos obscuros e menosprezados com a fúria e o grande e poderoso exército do mais soberbo dos reis que já se sentaram em trono. O que poderia a vara de um fora-da-lei e proscrito, e a voz de um escravo, fazer deles, contra um formidável tirano e  uma nação guerreira? O poder de Deus, pois, se fez ainda mais manifesto quando operou através de tais vasos de barro. Ao mesmo tempo, não nego que aqui se pretenda enaltecer esses servos de Deus, em quem depositara uma confiança tão honrosa.

Livro: Salmos Vol. 3, João Calvino. 

Salmos 77:17-18

As nuvens desfizeram-se em água; os céus retumbaram; as tuas flechas também correram de uma para outra parte. A voz do teu trovão estava no redemoinho; os relâmpagos alumiaram o mundo; a terra se abalou e tremeu (Salmos 77. 17-18)
As nuvens derramaram águas. Como o substantivo, mayim, não pode ser tomado no genitivo, o verbo, não tenho dúvida, é expresso em caráter transitivo; porém faz pouca diferença quan to ao sentido se assumirmos este ponto de vista, ou lermos como se, mayim, estivesse no genitivo e o verbo fosse passivo; ou, seja, se lermos: As nuvens derramaram águas, ou: As águas das nuvens foram derramadas. O significado obviamente é que não só o mar e o rio Jordão, mas também as águas que estavam suspensas nas nuvens, renderam a Deus a honra que é sua por direito, o ar, pela concussão do trovão, tendo derramado copiosos aguaceiros. O objetivo é mostrar que, para qualquer ponto que os homens volvam seus olhos, a glória de Deus se manifesta de forma eminente, que é esse o caso em toda parte da criação, em cima e embaixo, desde as alturas celestiais até aos abismos mais profundos dos mares. A que história se refere aqui é algo que se acha envolto em algum grau de incerteza.Talvez seja aquela que se acha registrada em Êxodo 9.23; sobre o quê somos informados que raios misturados com trovões e relâmpagos foram uma das medonhas pragas infligidas sobre os egípcios. As flechas que sibilavam por toda parte são, sem dúvida, uma forma metafórica para relâmpagos. Com este versículo devemos conectar o seguinte: a voz do trovão foi ouvida no ar, e a dos relâmpagos iluminou o mundo, de modo que a terra tremeu. Equivale a isto: na saída do povo do Egito, deu-se amplo testemunho do poder de Deus, tanto aos olhos quanto aos ouvidos dos homens; estrépitos de trovão eram ouvidos em todos os recantos dos céus e todo o firmamento brilhava com os raios dos relâmpagos, enquanto ao mesmo tempo a terra se estremecia toda.

João Calvino, O livro dos Salmos, volume 3.

19/12/16

Salmos 77:16

As águas te viram, ó Deus, as águas te viram, e tremeram; os abismos também se abalaram (Salmos 77. 16).
As águas te viram, ó Deus! Alguns dos milagres nos quais Deus exibira o poder de seu braço são aqui brevemente reportados. Quando se diz que as águas viram a Deus, a linguagem é figurada, significando que foram removidas, por assim dizer, por um instinto e impulso secretos em obediência à ordem divina na abertura de uma passagem para o povo eleito. Nem o mar nem o Jordão teria alterado sua natureza, ao se abrirem, dando-lhes espontaneamente uma passagem, não tivessem ambos sentido sobre eles o poder de Deus. Não significa que recuassem em função de algum juízo e raciocínio que porventura possuíssem, mas que, ao recuarem como fizeram, Deus mostrava que mesmo os elementos inanimados estão prontos a prestar-lhe obediência. Há aqui um contraste indireto com a intenção de repreender a estupidez dos homens caso não reconheçam na redenção dos israelitas do Egito a presença da mão de Deus, a qual foi vista até mesmo pelas águas. O que se acrescenta acerca dos abismos sugere que não só a superfície das águas foram agitadas na presença de Deus, mas que seu poder penetrou até mesmo os abismos mais profundos

“As águas do Mar Vermelho” , diz Home, “são aqui lindamente representadas como que dotadas de sensibilidade; elas vêem, sentem e são confundidas, mesmo os abismos mais profundos, na presença e poder de seu grande Criador, quando lhes ordenou que abrissem um caminho e formassem um muro de cada lado, até que seu povo passasse. Isto, de fato, é verdadeira poesia; e nessa atribuição de vida, espírito, emoção, ação e sofrimento a objetos inanimados, não existe poeta que possa rivalizar-se com os da nação hebraica.” - Mant.


João Calvino, O livro dos Salmos, volume 3.

19/12/16

domingo, 20 de novembro de 2016

Salmos 77:15

Com teu braço redimiste teu povo, os filhos de Jacó e de José. (Salmos 77. 15)
Com teu braço redimiste teu povo. Aqui, o salmista celebra, acima de todas as maravilhosas obras de Deus, a redenção do povo eleito, para a qual o Espírito Santo, ao longo de todas as Escrituras, chama a atenção dos verdadeiros crentes, a fim de encorajá-los a nutrirem a esperança de sua salvação. É bem notório que o poder de Deus naquele tempo se manifestava entre os gentios. A verdade histórica, aliás, através dos artifícios de Satanás, foi corrompida e falsificada por muitas fábulas; porém isso deve ser imputado à perversidade daqueles à cuja vista as maravilhosas obras foram operadas; e embora as vissem, escolheram antes cegar seus olhos e suprimir a veracidade de sua existência do que preservar o verdadeiro conhecimento delas. Como é possível explicar o fato de que fizeram Moisés ser não sei que tipo de mágico ou encantador, e inventaram tantas histórias estranhas e monstruosas, as quais Josefo colecionou em sua obra contra Apião, mas que no princípio era seu propósito deliberado sepultar no esquecimento o poder de Deus? Entretanto, o desígnio do profeta não é tanto condenar nos gentios o pecado da ingratidão, como fornecer a eles e a outros dentre os filhos de Deus motivo de esperança quanto a suas próprias circunstâncias; pois no tempo referido Deus exibiu publicamente, para o benefício de todas as eras futuras, uma prova de seu amor para com seu povo eleito. A palavra braço é aqui expressa metaforicamente em lugar do poder de um caráter extraordinário, o que é digno de ser lembrado. Deus não libertou seu antigo povo secretamente e de uma forma ordinária, mas publicamente e, por assim dizer, com seu braço estendido. O profeta, ao chamar as tribos escolhidas de os filhos de Jacó e de José, realça a razão por que Deus os considerou como seu povo. A razão tem por base o pacto que ele fizera com seus piedosos ancestrais. As duas tribos que descenderam dos dois filhos de José derivaram sua origem de Jacó, da mesma forma como as demais [tribos]; porém o nome de José é expresso com o intuito de honrá-lo, por cuja instrumentalidade toda a raça de Abraão foi preservada em segurança.

João Calvino, O livro dos Salmos, volume 3.
20/11/16

Salmos 77:14

Tu és o Deus que fazes maravilhas; tu tens feito notória a tua força entre os povos. (Salmos 77. 14)

Tu és o Deus que faz maravilhas. O salmista confirma a sentença precedente, demonstrando a grandeza de Deus à luz do maravilhoso caráter de suas obras. Ele não fala da essência secreta e misteriosa de Deus que enche céu e terra, mas das manifestações de seu poder, sabedoria, bondade e justiça, que são claramente exibidos, embora sejam tão vastos para que nosso pobre entendimento os apreenda. Literalmente, as palavras são: Tu és o Deus que faz uma maravilha. Mas o singular aqui evidentemente é usado em lugar do plural, exemplo esse que já vimos antes. À luz deste fato aprendemos que a glória de Deus está bem perto de nós, e que ele tão franca e claramente se desvendou, que não podemos com razão pretender qualquer justificativa para a ignorância. Aliás, ele opera tão maravilhosamente, que até mesmo as nações pagãs são indesculpáveis por sua cegueira. Por essa razão, ele acrescentou: Tu tens feito conhecida tua força entre os povos. Esta é uma referência imediata ao livramento da Igreja; mas, ao mesmo tempo, mostra que a glória de Deus, que tão clara e poderosamente se exibira entre as nações, não pode ser desprezada sem que se incorra na culpa de imperdoável impiedade.

João Calvino, O livro dos Salmos, volume 3.
20/11/16

“Pois desde a criação do mundo os atributos invisíveis de Deus, seu eterno poder e sua natureza divina, têm sido vistos claramente, sendo compreendidos por meio das coisas criadas, de forma que tais homens são indesculpáveis;” (Romanos 1:20)

A IGREJA, A BÍBLIA E O MUNDO

CONVIDO VOCÊ A ANALISAR comigo a identidade bíblica da igreja de Jesus Cristo e, com isso,
questionar nosso modo de viver.

A Igreja é a comunhão daqueles que se arrependem e confiam no perdão e no amor do Deus Salvador. Daqueles que recebem a Palavra que afirma que Deus Pai conferiu ao Filho, Jesus Cristo, a honra, a força, o poder, o domínio e a glória. A igreja é portadora dessa mensagem que estabelece Jesus Cristo como Senhor, diante de quem todo joelho se dobrará. Para revelar esse senhorio aos homens, ela precisa viver segundo o coração de Deus, submetendo-se a ele, e seus membros, uns aos outros. SERÁ QUE QUANDO O MUNDO OLHA PARA NÓS VÊ UM SINAL DO SENHORIO DE CRISTO ENTRE OS HOMENS?

A Igreja é o Corpo de Cristo, a presença de Cristo na terra. No Advento, ele chega para viver entre nós; e no Pentecostes, para viver em nós. Um presença santa e divina se mistura á humanidade pecadora. Como se estivesse em seu templo, o Senhor da glória habita em nós. Somos convidados a caminhar com ele, estendendo nossas mãos aos famintos, sedentos, encarcerados, doentes e enlutados. SERÁ QUE QUANDO O MUNDO OLHA PARA NÓS VÊ UM SINAL DA PRESENÇA DE DEUS NESTE PLANETA?

A Igreja do Senhor é portadora da mensagem de Deus, que amou o mundo de tal maneira que veio pessoalmente nos acolher, abraçar. É a comunidade de amor que tem um só coração e uma só alma, que espelha no mundo o mistério da diversidade e da unidade da Trindade. Assim, não somente pela qualidade de nossos relacionamentos entre nós, mas também pela capacidade de amar os inimigos, seremos conhecidos como discípulos de Cristo. SERÁ QUE QUANDO O MUNDO OLHA PARA NÓS VÊ UM SINAL DO AMOR DE DEUS POR TODOS OS SERES HUMANOS? 

A Igreja de Cristo é uma família na qual irmãos e irmãs vivem em sujeição e obediência ao Pai celestial. Uma família que tem apenas um Senhor e Chefe, Jesus Cristo, por isso ninguém procura dominar ou controlar o outro; pelo contrário, cada um humildemente considera o outro superior. A Igreja é uma família de famílias. Cada um abriu mão do amor ao poder para se entregar ao poder do amor; para servir, em vez de controlar. SERÁ QUE QUANDO O MUNDO OLHA PARA NÓS VÊ UM SINAL DE HUMILDADE E SOLIDARIEDADE? 

Nesta Igreja não há mais escravo ou homem livre, judeu ou gentio, homem ou mulher porque todos são um em Cristo. SERÁ QUE QUANDO O MUNDO OLHA PARA NÓS VÊ UMA COMUNIDADE INCLUSIVA, LIVRE DE PRECONCEITOS E DISCRIMINAÇÕES?

Igreja é santa, mas composta de membros pecadores. Santa á medida que se reconhece pecadora. Salva, a partir do momento que se considera perdida, pois o Filho do Homem não veio salvar o justo, mas o pecador; não veio para o são, mas para o doente. Igreja que ora é noiva, ora é prostituta. Ela se prostitui ao fazer aliança com o dinheiro, o poder, o orgulho, e quando explora a boa fé do povo. 
Porém, é noiva - ou virgem pura, como disse Paulo - pela ternura de Cristo por intermédio da presença santificadora do Espírito Santo. Somente uma Igreja que se reconhece pecadora e se quebranta diante de Deus pode ser resgatada e restaurada por ele. SERÁ QUE QUANDO O MUNDO NOS OLHA PARA NÓS VÊ SINAIS DE QUEBRANTAMENTO E SANTIFICAÇÃO?

As escrituras são o espelho diante do qual a Igreja deve ver seu rosto verdadeiro. A cada encontro em que abrimos a Palavra, a cada estudo bíblico, a cada pregação, Deus estende esse espelho e nos pergunta SE SOMOS SINAL DO DIVINO NESTE MUNDO CAÓTICO. Um sinal do Senhorio de Cristo, da presença de Deus, do amor da trindade, um sinal de humildade e solidariedade, de santidade, um sinal de quebrantamento.

A Igreja, ao longo da história, guardou viva sua relação com a Palavra. Ela sempre foi bíblica - esta é sua graça. No entanto, nem sempre foi bíblica - esta é sua falta. Porém, deve ser a cada dia mais bíblica - este é seu desafio. Cada vez que abrimos as escrituras, e nosso coração a elas a presença do Espírito, a Igreja tem a chance de se tornar mais bíblica, mais conformada á imagem daquele que nos criou e salvou. QUE O MUNDO POSSA VER NOSSAS OBRAS E GLORIFICAR A DEUS, QUE ESTÁ NO CÉU.

Texto retirado do livro Meditatio, do autor Osmar Ludovico. Pág. 136-139 
Cap. A Igreja, a Bíblia e o Mundo. Editora: Mundo Cristão
Livro Fantástico!

Priscila G. 



segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Festa de Casamento

Um casamento não é mera formalidade social. Ele tem um significado bem mais profundo. Primeiro, porque duas pessoas querem fazer votos, promessas e assumir compromissos um com o outro diante de Deus, dos pais, parentes e amigos. Segundo, porque eles também desejam receber a bênção de Deus sobre sua união. Trata-se de um momento de alegria, de encontro, de comida, bebida, bolo, danças. Surgem, então, emoções do fundo da alma, emoções muitas vezes reprimidas pelas agruras do cotidiano.

Não há lugar melhor no mundo de se estar do que numa festa de casamento. Há uma memória inconsciente escondida no fundo da alma que se projeta para uma cena primordial na origem da vida humana. Naquele dia – o sexto, segundo o relato da criação –, Deus fez adormecer o homem e, diante de uma natureza silenciosa e reverente, criou a mulher. Despertado do sono, Adão declama o primeiro cântico da história humana: “Esta sim, é osso dos meus ossos e carne da minha carne! Ela será chamada mulher, porque do homem foi tirada” (Gn 2:23). E caminharam juntos pelo jardim, uniram-se e se tornaram uma só carne.

Numa festa de casamento, nossa memória genética faz contato com essa idade da inocência no Jardim do Éden. Somos tomados por uma misteriosa, intensa e contagiante alegria. A esperança é renovada. Alguns se emocionam e choram. Olhamos para os noivos e nos esquecemos das dificuldades do cotidiano. Acreditamos que o amor é possível, que pode extrair o que há de melhor em nós. É a esperança de ser acolhido, de pertencer, de ser reconhecido. Apesar das mazelas do mundo, nós nos sentimos melhores e, tal como os noivos, acreditamos que a humanidade também pode melhorar.

É também numa festa de casamento que sentimos de modo especial e profundo a presença de Deus e a presença do homem.


• O divino e o humano.
• O sagrado e o profano.
• O eterno e o efêmero.
• O amor absoluto e o amor humano.
• O perfeito e o imperfeito.

Essa presença divina está presente na primeira união, no jardim do Éden; nas bodas de Caná; no diálogo de Cântico dos Cânticos, entre Salomão e a Sulamita. O amor divino é a fonte e a origem de todos os amore humanos. Assim, a alegria, a esperança e a crença no amor não estão relacionadas somente á festa, mas a essa outra presença: a presença do divino, do sagrado, do eterno, enfim, a presença de Deus.

Contudo, eventos festivos não duram. A festa acaba. Segunda-feira acordamos e enfrentamos as dificuldades da vida, e cada um tem suas dores existenciais, emocionais, familiares, profissionais e físicas. A alegria, a esperança e o amor que experimentamos no dia da festa, de forma tão intensa, podem sucumbir. Como, então, proteger e cuida bem desses sentimentos?

Apenas se os votos assumidos pelos noivos servirem de ponte entra essas duas presenças, a divina e a humana. Apenas se pudermos dizer de todo coração, com toda a sinceridade, como toda a convicção: “Senhor nosso Deus, é pra valer! O compromisso que assumimos hoje é para toda a vida, damos nossa palavra diante de ti e dos homens. Queremos resistir a todos os desencontros, queremos guardar a alegria no dia mau, queremos guardar essa esperança na hora do conflito”.

Podemos divergir, desencontrar, enfrentar tensões inerentes a rum relacionamento a dois. Podemos até enfrentar aqueles sentimentos e desejos de desistências, de ruptura, tão próprios de nossa frágil humanidade e sua dificuldade de lidar com conflitos. Mas não podemos deixar de encontrar essa outra presença, diante de quem os votos são assumidos: a presença de Cristo, que, a partir de seu amor incondicional, nos ensina a perdoar, reconciliar e permanecer na alegria, na esperança e no amor.

Dessa forma, durante todos os dias da vida, em qualquer circunstância, os votos apresentados diante do ministro e do Juiz de paz estabelecem uma ponte com a presença amorosa de Deus, a única que pode garantir que a alegria, a esperança e amor sejam perenes. Refiro-me á alegria de amar o diferente, de amadurecer e envelhecer juntos; á esperança que excede a compreensão, uma capacidade de esperar o melhor; e a um amor que não exige perfeição, que respeita, que não obriga o outro a me fazer feliz, que se abre, que é transparente, sem agendas paralelas ou secretas – um amor fiel, que persevera, acolhe e encoraja; aprende, desaprende e reaprende jeitos de amar ao longo da vida; extrai do outro o que ele tem de melhor.

Devemos lembrar sempre que, por maior que seja esse amor, ele não pode preencher o vazio e a solidão que sentimos. Cônjuges são dádivas de Deus, e não seus substitutos. A cerimônia de casamento é o compromisso solene que fazemos com o amor de Deus e o amor um pelo outro, uma consagração para a vida toda, um vínculo indissolúvel. Daí surge o respeito, a fidelidade, o afeto. Venha o que vier, permaneceremos fiéis a Deus e um ao outro.

Hoje tive vontade de fazer uma festa. Vou cozinhar um prato especial, preparar a mesa com a melhor louça, enfeitar com flores e velas, abrir um bom vinho, colocar meus CDs favoritos. Ainda que seja só eu e Isabelle, hoje será dia de festa, com discurso e dança. Festa de renovação de votos de casamento.

Osmar Ludovico, pág. 101-104. Cap. Festa de Casamento. 

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Incredulidade e Idolatria

E disse Jesus, “e não fez ali muitos milagres, por causa da incredulidade deles” (Mt 13:58); “e vemos que não puderam entrar por causa da sua incredulidade”. (Hb 3:19)
Idolatria processo no qual Deus deixa de ocupar o lugar central na vida do homem, para ficar em segundo plano.

A seguir temos um cenário em que Paulo lidou com a idolatria: 
“Então Paulo, estando de pé no meio do Areópago, disse: Varões atenienses, em tudo vejo que sois excepcionalmente religiosos; Porque, passando eu e observando os objetos do vosso culto, encontrei também um altar em que estava escrito: AO DEUS DESCONHECIDO. Esse, pois, que vós honrais sem o conhecer, é o que vos anuncio. O Deus que fez o mundo e tudo o que nele há, sendo ele Senhor do céu e da terra, não habita em templos feitos por mãos de homens; nem tampouco é servido por mãos humanas, como se necessitasse de alguma coisa; pois ele mesmo é quem dá a todos a vida, a respiração e todas as coisas; e de um só fez todas as raças dos homens, para habitarem sobre toda a face da terra, determinando-lhes os tempos já dantes ordenados e os limites da sua habitação; para que buscassem a Deus, se porventura, tateando, o pudessem achar, o qual, todavia, não está longe de cada um de nós; porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos; como também alguns dos vossos poetas disseram: Pois dele também somos geração. Sendo nós, pois, geração de Deus, não devemos pensar que a divindade seja semelhante ao ouro, ou à prata, ou à pedra esculpida pela arte e imaginação do homem. Mas Deus, não levando em conta os tempos da ignorância, manda agora que todos os homens em todo lugar se arrependam; porquanto determinou um dia em que com justiça há de julgar o mundo, por meio do varão que para isso ordenou; e disso tem dado certeza a todos, ressuscitando-o dentre os mortos. (Atos dos Apóstolos: 17. 22)
Paulo esteve no meio dos atenienses e enquanto andava identificou-se vários altares aos ídolos Zeus, Hera, Poseidon, Atena, Ares, Deméter, Apolo, Atêrmis, Hefesto, Afrodite, Hermes, Dionísio, entre outros. Eles adoravam diversos ídolos. No entanto, a idolatria não consiste apenas na adoração destes tipos de ídolos. Existem culto a outros ídolos (invisíveis) tais como: vaidade, orgulho, ódio, inveja, relacionamentos. Etc. Além disso, existe um ídolo chamado “incredulidade”. A incredulidade está relacionado ao fato de quando tiramos os nossos olhos de Jesus e colocamos os nossos olhos nas coisas terrenas e nas circunstancias. Será que o Espírito Santo quando vem sondar nosso coração, não tem encontrado diversos altares a outros deuses? Será que em nosso coração não foi levantado vários outros altares? E a mensagem do Espírito Santo a nós e a mesma que Paulo disse aos atenienses, a respeito do “Deus desconhecido”. Precisamos limpar o nosso coração destes altares que nós mesmos construímos, precisamos começar a tirar o deus da incredulidade que tem nos cegado totalmente para as coisas celestiais. Temos adorado tanto este deus que este tem nos afastado do ÚNICO E VERDADEIRO DEUS. Que sejamos como Abrão: 
“e não enfraquecendo na fé, não atentou para o seu próprio corpo já amortecido, pois era já de quase cem anos, nem tampouco para o amortecimento do ventre de Sara. E não duvidou da promessa de Deus por incredulidade, mas foi fortificado na fé, dando glória a Deus” (Rm 4:19,20). 
Amém!
Priscila Grazielle, 
04/11/16

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Salmos 77:11-12

Recordarei os feitos do Senhor; sim, me lembrarei das tuas maravilhas da antiguidade 12. Meditarei também em todas as tuas obras, e ponderarei os teus feitos poderosos. (Salmos 77:11)
Eu me lembrarei das obras de Deus. O profeta agora, inspirado com nova coragem, vigorosamente resiste ás tentações, as quais por tanto tempo haviam prevalecido contra ele com o intuito de esmagar sua fé. Esta recordação das obras de Deus difere da recordação da qual ele previamente falou. Então contemplou à distância os benefícios e achou a contemplação deles insuficiente para suavizar ou a sua tristeza. Aqui ele toma posse deles, por assim dizer, como testemunhos que garantiam a eterna graça de Deus. Para expressar a mais profunda seriedade, ele repete a mesma sentença, com uma afirmação na forma de interjeição; pois a palavra, ki, é aqui usada simplesmente para confirmar ou realçar a afirmação. Tendo, pois, por assim dizer, obtido a vitória, ele triunfa na recordação das obras de Deus, estando firmemente persuadido de que Deus continuaria o mesmo como se mostrara desde a antiguidade. Na segunda sentença, ele enaltece veementemente o poder que Deus exibira na preservação de seus servos: Lembrar-me-ei de tuas obras maravilhosas da antiguidade. Ele emprega o singular, teu decreto ou tua obra maravilhosa; porém não hesitei em corrigir a obscuridade mudando o número. Encontrá-lo-emos logo depois empregando o singular para denotar muitos milagres. O que ele quer dizer, em suma, é que o maravilhoso poder de Deus que sempre publicara pela preservação e salvação de seus servos, contanto que meditemos devidamente sobre ele, é suficiente para capacitar-nos a vencer todas as angústias.
À luz deste fato, aprendamos que, embora às vezes a lembrança das obras de Deus nos traga menos conforto do que havíamos desejado, e nossas circunstâncias requeiram, devemos, não obstante, esforçar-nos para que a exaustão produzida pela tristeza não descoroçoe nossa coragem. Isso é merecedor de nossa mais cuidadosa atenção. Em tempos de tristeza, nutrimos sempre o desejo de achar um remédio que mitigue sua amargura; porém a única maneira pela qual podemos fazer isso é lançar nossas preocupações sobre Deus. Entretanto, amiúde sucede que, quanto mais perto ele esteja de nós, mais, no aspecto externo, ele agrava nossas dores. Portanto, muitos, quando não derivam nenhuma vantagem deste curso, imaginam que não podem fazer melhor que esquecê-lo. E assim sentem aversão por sua Palavra, porque quando a ouvem sua angústia é antes agravada em vez de mitigada, e, o que é pior, desejam que Deus, que assim agrava e inflama sua tristeza, se mantenha à distância. Outros, sepultando a lembrança dele, se devotam totalmente às atividades mundanas. Estão num extremo muito oposto ao do profeta. Embora ele não experimentasse imediatamente o benefício que teria desejado, todavia ainda continuou a ter Deus diante de sua vista, sabiamente apoiando sua fé nesta meditação: como Deus não muda seu amor nem sua natureza, ele não pode fazer outra coisa senão mostrar-se por fim misericordioso para com seus servos. Que nós também aprendamos a abrir nossos olhos para vislumbrar as obras de Deus; cuja excelência é de pouca importância em nossa estima, em virtude da opacidade de nossos olhos e de nossa inadequada percepção delas; as quais, porém, se examinadas atentamente, nos encantarão com admiração. O salmista reitera no versículo 12 que ele meditaria continuamente sobre essas obras, até que, no tempo oportuno, recebesse a plena vantagem que esta meditação se destina a oferecer. A razão por que tantos exemplos da graça de Deus em nada contribuem para nosso proveito, e fracassam em edificar nossa fé, é que tão logo temos começado a fazer delas os temas de nossa ponderação, nossa inconstância nos afasta para outras coisas, e assim, em seu exato começo, nossas mentes logo perdem a imagem delas.

João Calvino, O livro dos Salmos, volume 3
05-10-16

Salmos 77: 10

E eu digo: Isto é minha enfermidade; acaso se mudou a destra do Altíssimo? (Salmos: 77. 10)
E eu disse: Minha morte, os anos da destra de Deus. Esta passagem tem sido explicada de várias maneiras. Alguns, derivando a palavra challothi de chalah, que significa matar, vêem o profeta como a dizer que, sendo esmagado por um grande acúmulo de calamidades, a única conclusão a que pôde chegar era que Deus o designara à completa destruição; e que sua linguagem é uma confissão de haver ele caído em desespero. Outros traduzem-na por estar doente, estar enfermo ou debilitado, o que é muito mais próprio ao escopo da passagem (veja nota 1). Diferem, porém, com respeito ao significado. Segundo alguns intérpretes, o profeta se acusa e se reprova por sua enfermidade mental e por não conseguir mais virilmente resistir à tentação (veja nota 2). É possível admitir esta explicação; pois o povo de Deus ordinariamente reunia coragem depois de passar um tempo hesitante sob o impulso da tentação. Entretanto, prefiro uma interpretação diferente, a saber: que esta era uma doença meramente temporária, e que por isso ele a compara indiretamente à morte; ainda quando se diz no Salmo 118.18: “O Senhor me castigou gravemente, porém não me entregou à morte.” Também: “Não morrerei, porém viverei.” Ele, pois, não tenho dúvida, se sente aliviado por nutrir a confiante persuasão de que, embora atualmente estivesse deprimido, era só uma questão de tempo, e que, portanto, se dispõe a pacientemente suportar essa doença ou debilidade, visto que ela não era para morte. Os comentaristas tampouco estão concordes quanto à exposição da segunda sentença. Os que conectam este versículo com os versículos precedentes, acreditam que o profeta fora a princípio reduzido a um estado tal de melancolia, que olhava para si mesmo como alguém completamente destruído; e que depois ele ergueu sua cabeça resolutamente, à semelhança daqueles que pensam achar-se lançados nas profundezas de um naufrágio, e que, repentinamente, se erguem acima das águas. Além disso, creem que isso deve ser entendido como uma palavra de encorajamento dirigida por alguém ao profeta, desejando que ele rememore os anos nos quais teve a experiência de que Deus era misericordioso para consigo. Será, porém, mais apropriado entendê-lo assim: Não tens razão de pensar que ora estás condenado à morte, visto não estares laborando sob uma doença incurável, e a mão de Deus está habituada a atingir todos aqueles a quem ela quer golpear. Não rejeito a opinião dos que traduzem shenoth, por mudanças (veja nota 3); pois quando o verbo hebraico, shanah, significa mudar, ou fazer uma coisa repetidas vezes, os hebreus tiraram dele a palavra shenoth, a qual empregam para denotar anos, de seu caráter giratório, de seu movimento em espiral, por assim dizer, na mesma órbita. Mas seja qual for a maneira em que a entendamos, o conforto de que tenho falado permanecerá firme, ou, seja, o profeta, assegurando-se de uma mudança favorável em sua condição, não olha para si como um condenado à morte. Outros dão uma interpretação um pouco diferente, olhando para ela de outro ângulo (veja nota 4), como se o profeta dissesse: Por que não suportas pacientemente a severidade de Deus desta vez, quando até aqui ele te tem acalentado com sua beneficência? Ainda como disse Jó [2.10]: “Recebemos o bem da mão de Deus, e não receberemos também o mal?” É mais provável, porém, que o profeta dirija sua visão para o futuro e tenha em mente que este o fez esperar os anos ou os acontecimentos da mão do Altíssimo, até que ele oferecesse clara e indiscutível evidência da volta de seu favor para com ele.
Notas:
1- Walford traduz: “Então eu disse: Minha doença é esta.:” Observa ainda: “Essa é a tradução exata do texto. Alguma doença penosa lhe sobreviera, a qual foi agravada pela depressão de seu espírito, o que o privou do vigor e energia mentais e envolveu todos os objetos de cores mais escuras ... ‘Eu disse: Esta é minha doença.’ Minha mente está oprimida pelos sentimentos mórbidos de minha estrutura física, e por isso as mudanças pelas quais a mão de Deus me afetou são vistas por mim em cores mais escuras, e estou pronto a renunciar a própria esperança de que ainda verei sua bondade como fazia comigo outrora."
2 - Segundo este ponto de vista, ele se refere ao que dissera nos versículos 7 a 9, nos quais pareceu chegar à conclusão de que jamais haveria um fim para suas aflições atuais, como se o decreto estivesse em andamento e Deus pronunciasse uma sentença final e irreversível. Aqui, porém, ele se refreia e se corrige por haver dado vazão a tal linguagem, e recorda de seus pensamentos de respeito a Deus de forma mais justa e sentimentos mais estimulantes. Reconhece seu pecado em questionar ou ceder ao sentimento de suspeita em referência ao amor divino e à veracidade das promessas divinas; e confessa que isso fluiu da corrupção de sua natureza e da fraqueza de sua fé; que ele havia falado temerária e apressadamente; e que se envergonhava e sentia seu rosto em confusão, por isso agora desistira e não mais iria avante.
3- Walford traduz o versículo assim: “Então eu disse: Minha doença é esta: A mudança da destra do Deus Altíssimo.” Ele observa: “Não há autoridade para a versão: ‘Recordarei os anos’; sua intenção é: o poder de Deus tem mudado e alterado minha condição; de um estado de saúde e paz, ele me trouxe doença e dores e tristezas. Disto, diz ele, me lembrarei para inspirar-me alguma esperança de que o poder que o tinha humilhado agora o exalte.”

 João Calvino, O livro dos Salmos, volume 3
11-10-16

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Salmos 77: 9

"Esqueceu-se Deus de ser compassivo? Ou na sua ira encerrou ele as suas ternas misericórdias?" (Salmos 77. 9)
Porventura esqueceu Deus de ser misericordioso? O profeta ainda continua debatendo em seu íntimo o mesmo tema. Seu objetivo, contudo, não é subverter sua fé, mas, antes, soerguê-la. Ele não formula esta pergunta como se o ponto a que se refere fosse uma questão duvidosa. É como se ele dissesse: Porventura Deus esqueceu de si mesmo? ou teria ele mudado sua natureza Porque ele não pode ser Deus a menos que seja misericordioso. De fato admito que ele não permanece inabalável como se possuísse um coração de aço. Entretanto, quanto mais violentamente era ele assaltado, mais firmemente se inclinava para o fato incontestável de que a bondade de Deus está tão inseparavelmente conectada a sua essência, que se torna sumariamente impossível que ele não seja misericordioso. Portanto, sempre que as dúvidas assaltem nossas mentes, assenhoreando-se delas com preocupações e oprimindo-as com angústias, aprendamos sempre a diligenciar-nos por obter uma resposta satisfatória a esta pergunta: Deus mudou sua natureza ao ponto de não mais ser misericordioso?

A última sentença: Ele encerrou ou restringiu sua misericórdia em sua ira? tem o mesmo teor. Era uma observação muito comum e notável entre os patriarcas que Deus é longânimo, tardio em irar-se, pronto a perdoar e fácil de ser achado. Foi deles que Habacuque extraiu a afirmação que faz em seu cântico [3.2]: “ Mesmo em sua ira ele se lembrará de sua misericórdia.” O profeta, pois, aqui chega à conclusão de que a disciplina que ele experimentou não impedia que Deus novamente se reconciliasse com ele e volvesse a sua costumeira maneira de outorgar-lhe bênçãos, visto que sua ira para com seu próprio povo dura apenas um momento. Sim, embora Deus manifeste os emblemas de sua ira, todavia não oculta por muito tempo seu terno amor para com aqueles a quem disciplina. Sua ira, é verdade, permanece continuamente sobre os réprobos; porém o profeta, considerando-se como um do número dos filhos de Deus, e falando de outros crentes genuínos, com razão fala da impossibilidade de o desprazer temporário de Deus interromper o curso de sua bondade e mercê.

João Calvino, O livro dos Salmos, volume 3
05-10-16

Quando não há palavras

Quando não há palavras Não sei por onde começar, as palavras tropeçam antes de nascer. O coração fala alto, mas a boca não acompanha. Trago ...