segunda-feira, 29 de junho de 2015

Discipulando quando você precisa de discipulado

Eu não estava segura de com que o discipulado deveria se parecer, mas eu tinha certeza de que não se parecia com o que eu estava fazendo.

“Eu preciso saber de tudo perfeitamente”, pensei ao fechar a porta após a pobre irmã que havia gasto uma hora de sua vida para vir e ser discipulada.

“Eu sou uma bagunça! Não tenho a mínima ideia do que estou fazendo aqui. Com certeza não houve nenhum ‘ensino’ no meio disso, com meus filhos descontrolados e meu coração indisposto com o meu marido. Eu não deveria estar ensinando ninguém. Sou eu quem precisa ser discipulada! Deus, o que fazer?”

Eu resmungava tudo isso balbuciando enquanto voltava à cozinha para terminar de fazer o jantar.

Encontrando força na fraqueza

Mal sabia eu como Deus usaria aquela situação, juntamente com muitas outras semelhantes, para me ensinar muito sobre seus propósitos na minha vida. Mal sabia eu como Deus transformaria minhas fraquezas em força. Durante esse período, meu marido e eu, ambos na casa dos trinta, havíamos sido empurrados para a categoria dos “mais velhos” na nossa igreja. Eu procurava uma mulher que pudesse me encorajar espiritualmente, enquanto enfrentávamos tempos difíceis, mas Deus tinha outros planos.

Em vez de me conceder esse desejo, ele fez crescer minha paixão pelo discipulado. Gradativamente, eu aprendia que discipulado era menos sobre eu fazer a coisa certa e mais sobre obedecer ao mandamento divino de “instruir as jovens” (Tito 2.4). Com frequência eu observava Deus trazer à minha vida mulheres mais jovens do que eu, em idade ou em maturidade espiritual, desesperadas por alguém que as ajudasse a aprender como amar o Senhor com todo o seu coração, alma, entendimento e força (Deuteronômio 6.4-9).

Ensinando ao ser observada

Por mais que eu desejasse ser discipulada, eu me via com frequência no papel de discipuladora, sentindo-me profundamente insegura e incapaz. Eu me sentia como Moisés em Êxodo 4, dizendo: “Ó Deus, por favor, envie outra pessoa”, e Deus me reprovou por isso de várias maneiras diferentes. Assim como com Moisés, eu percebia Deus dizendo: “Quem fez a boca do homem? Ou quem faz o mudo, ou o surdo, ou o que vê, ou o cego? Não sou eu, o SENHOR? Vai, pois, agora, e eu serei com a tua boca e te ensinarei o que hás de falar” (Êxodo 4.11-12).

Ao discipular essas mulheres, eu tentava instruí-las e questioná-las, discutir livros juntas e orar, mas depois elas viriam a dizer-me que, muitas vezes, o melhor ensino veio de simplesmente observar-me. Elas observavam Deus usar minhas fraquezas ao lutar por paciência quando ela já havia se esgotado há muito durante o dia. Elas me observavam lutar para amar meu marido depois de compartilhar com elas minhas próprias lutas de sentir-me em segundo lugar com relação ao seu trabalho.

Deus suprirá aquilo de que necessitamos

Eu vim a entender melhor as palavras de Paulo ao dizer: “Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós” (2 Coríntios 4.7). Essas moças tiveram um assento na primeira fila para verem o verdadeiro vaso de barro que eu sou. Uma vez que nós somos feitura de Deus, criados em Cristo Jesus para boas obras, às vezes precisamos permitir que outros vejam o poder de Deus brilhar a partir das nossas frágeis tentativas de servi-lo.

Deus não nos chama para sermos tudo o que podemos ser por nós mesmos. Em vez disso, ele nos chama a nos derramarmos por outros como uma oferta de libação. Porque é quando nos esvaziamos de nós mesmos por amor a Deus e aos outros que ele pode usar a nossa fragilidade como o palco perfeito para exibir o seu poder. A cada dia que Deus nos dá vida nesta terra, ele nos dá todas as coisas de que precisamos para a vida e a piedade. Isso significa que ele será fiel em suprir todas as coisas de que precisamos para discipular as mulheres que ele traz às nossas vidas.

A nossa confiança: Deus está trabalhando

Anos depois, Deus trouxe à igreja uma nova amiga e irmã, a qual passou a visitar-me por algum tempo nas tardes de sábado, enquanto Brad estava ocupado preparando um sermão. Parecia que todas as vezes que ela chegava alguma coisa estava dando errado, desde o pior momento de ira de um dos meus filhos ao vaso sanitário entupido! Foi durante um desses momentos que olhei para ela com um sorriso, confiante na sabedoria de Deus, e disse: “Veja só, Deus de fato deve amá-la muito para deixá-la ver tudo isso”.

Esta é a nossa confiança: não que nós tenhamos o lar perfeito ou os filhos mais bem-comportados, mas que, no atoleiro e no lamaçal, o Espírito de Deus está trabalhando. Mesmo em nossas fraquezas, Deus usa nossas palavras para despertar aqueles que são indolentes, encorajar os tímidos, confortar os fracos e mostrar paciência para com todos, tudo para a sua grande glória.

Autor,
Erin Wheeler mora em Washington, D.C., com seu marido Brad e seus quatro filhos. Ela frequenta a Capitol Hill Baptist Church, onde Brad serve como pastor auxiliar.


quinta-feira, 30 de abril de 2015

Demonstre amor.

Gary Chapman, em seu livro, as cinco linguagens do amor, fala a respeito das formas através das quais as pessoas expressam e recebem as manifestações de amor. Eu ainda não o li. Mas, vou lê-lo. Chapman cita que há cinco linguagens (meios) que nós podemos expressar amor, e são elas: palavra de afirmação, tempo de qualidade, presentes, atos de serviço e toque físico. Logo, a pergunta que nós deveríamos fazer para a outra pessoa (no caso, a pessoa com que nós nos relacionamos) é, “Qual é a sua linguagem?”. Não é apenas uma pergunta a ser feita, mas é um estudo sobre o coração da outra pessoa,e que exige um pouco de dedicação da nossa parte.
Temos sutilmente o hábito de expressar o nosso amor pelo outro da maneira que nós nos sentimos amados. Por exemplo, se eu me sinto amado com tempo de qualidade é provável que eu queira demonstrar meu amor por meio dessa linguagem. Se eu me sinto amado com presentes, é provável que eu seja uma pessoa que gosto presentear o outro; Um pequeno erro disso tudo, é que talvez a linguagem do outro não seja a mesma que a sua, e este não sente-se amado e tão pouco desejado por você. E, com isso os dias, meses, anos passam, e seu parceiro(a) continua sedento por essa afirmação dentro de si, “demonstre o seu amor por mim”.
Portanto, quem é casado, gaste tempo em conhecer o outro, cuidar do outro, amar o outro e demonstrar isso. O casamento é um presente de Deus. Vamos cuidar desse presente. Se está namorando gaste tempo em conhecer e aprofundar em conhecer a respeito da pessoa que no futuro irá morar sobre o mesmo teto que você. Não sejamos ingênuos, nós já temos a consciência de que uma vida inteira é insuficiente para conhecer tudo sobre a outra pessoa, é impossível, porém, que isso não seja motivo, para não desejarmos conhecer um pouco a cada dia sobre a pessoa que nós desejamos que permaneça ao nosso lado.

Muitos casamentos e namoros, são interrompidos, por não encontrar no outro essa afirmação: “eu sinto-me amado por você”. E, a pessoa acaba encontrando essa afirmação, num terceiro. Então, vamos demonstrar hoje amor, e demonstrar da maneira “correta”. Vamos descobrir a linguagem do outro! Vamos estudar o outro. Vamos crescer juntos. Vamos amar mais e sermos correspondidos no amor.

Esse texto visa o relacionamento entre "homem e mulher" em seus diferentes graus, namoro, noivado, casamento... Porém, esse tema pode ser estendido a amizade, pais e filhos, etc. Todos temos essa necessidade de sermos afirmados, aceitos e aprovados. 

(O nosso coração só será plenamente satisfeito, quando nos encontramos em Deus, quando cuidamos em primeiro lugar do nosso relacionamento com Jesus, somente Jesus é capaz de nos amar como ninguém nos amou, só Jesus é capaz de preencher o vazio existencial que existe dentro de nós, em Jesus nos encontramos e nos sentimos amados. Deus nos amou de tal maneira, que nos enviou Jesus. Deus por meio de Jesus, demonstrou seu amor. Jesus, demonstrou amor na cruz, e quando pediu ao pai para nos deixar o consolado, o Espírito Santo. O primeiro mandamento é amar a Deus acima de todas a coisas, porém, há um segundo mandamento, que é amar o próximo. O amor é vertical e horizontal.)

Priscila Grazielle,
30/04/2015

quinta-feira, 26 de março de 2015

A complicada arte de ver

Rubem Alves colunista da Folha de S.Paulo

Ela entrou, deitou-se no divã e disse: "Acho que estou ficando louca". Eu fiquei em silêncio aguardando que ela me revelasse os sinais da sua loucura. "Um dos meus prazeres é cozinhar. Vou para a cozinha, corto as cebolas, os tomates, os pimentões _é uma alegria! Entretanto, faz uns dias, eu fui para a cozinha para fazer aquilo que já fizera centenas de vezes: cortar cebolas. Ato banal sem surpresas. Mas, cortada a cebola, eu olhei para ela e tive um susto. Percebi que nunca havia visto uma cebola. Aqueles anéis perfeitamente ajustados, a luz se refletindo neles: tive a impressão de estar vendo a rosácea de um vitral de catedral gótica. De repente, a cebola, de objeto a ser comido, se transformou em obra de arte para ser vista! E o pior é que o mesmo aconteceu quando cortei os tomates, os pimentões... Agora, tudo o que vejo me causa espanto."

Marcelo Zocchio Ela se calou, esperando o meu diagnóstico. Eu me levantei, fui à estante de livros e de lá retirei as "Odes Elementales", de Pablo Neruda. Procurei a "Ode à Cebola" e lhe disse: "Essa perturbação ocular que a acometeu é comum entre os poetas. Veja o que Neruda disse de uma cebola igual àquela que lhe causou assombro: 'Rosa de água com escamas de cristal'. Não, você não está louca. Você ganhou olhos de poeta... Os poetas ensinam a ver".

Ver é muito complicado. Isso é estranho porque os olhos, de todos os órgãos dos sentidos, são os de mais fácil compreensão científica. A sua física é idêntica à física óptica de uma máquina fotográfica: o objeto do lado de fora aparece refletido do lado de dentro. Mas existe algo na visão que não pertence à física.

William Blake sabia disso e afirmou: "A árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo vê". Sei disso por experiência própria. Quando vejo os ipês floridos, sinto-me como Moisés diante da sarça ardente: ali está uma epifania do sagrado. Mas uma mulher que vivia perto da minha casa decretou a morte de um ipê que florescia à frente de sua casa porque ele sujava o chão, dava muito trabalho para a sua vassoura. Seus olhos não viam a beleza. Só viam o lixo.

Adélia Prado disse: "Deus de vez em quando me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra". Drummond viu uma pedra e não viu uma pedra. A pedra que ele viu virou poema.

Há muitas pessoas de visão perfeita que nada vêem. "Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. Não basta abrir a janela para ver os campos e os rios", escreveu Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa. O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido. Nietzsche sabia disso e afirmou que a primeira tarefa da educação é ensinar a ver. O zen-budismo concorda, e toda a sua espiritualidade é uma busca da experiência chamada "satori", a abertura do "terceiro olho". Não sei se Cummings se inspirava no zen-budismo, mas o fato é que escreveu: "Agora os ouvidos dos meus ouvidos acordaram e agora os olhos dos meus olhos se abriram".

Há um poema no Novo Testamento que relata a caminhada de dois discípulos na companhia de Jesus ressuscitado. Mas eles não o reconheciam. Reconheceram-no subitamente: ao partir do pão, "seus olhos se abriram". Vinícius de Moraes adota o mesmo mote em "Operário em Construção": "De forma que, certo dia, à mesa ao cortar o pão, o operário foi tomado de uma súbita emoção, ao constatar assombrado que tudo naquela mesa _garrafa, prato, facão_ era ele quem fazia. Ele, um humilde operário, um operário em construção".

A diferença se encontra no lugar onde os olhos são guardados. Se os olhos estão na caixa de ferramentas, eles são apenas ferramentas que usamos por sua função prática. Com eles vemos objetos, sinais luminosos, nomes de ruas _e ajustamos a nossa ação. O ver se subordina ao fazer. Isso é necessário. Mas é muito pobre. Os olhos não gozam... Mas, quando os olhos estão na caixa dos brinquedos, eles se transformam em órgãos de prazer: brincam com o que vêem, olham pelo prazer de olhar, querem fazer amor com o mundo.

Os olhos que moram na caixa de ferramentas são os olhos dos adultos. Os olhos que moram na caixa dos brinquedos, das crianças. Para ter olhos brincalhões, é preciso ter as crianças por nossas mestras. Alberto Caeiro disse haver aprendido a arte de ver com um menininho, Jesus Cristo fugido do céu, tornado outra vez criança, eternamente: "A mim, ensinou-me tudo. Ensinou-me a olhar para as coisas. Aponta-me todas as coisas que há nas flores. Mostra-me como as pedras são engraçadas quando a gente as têm na mão e olha devagar para elas".

Por isso _porque eu acho que a primeira função da educação é ensinar a ver_ eu gostaria de sugerir que se criasse um novo tipo de professor, um professor que nada teria a ensinar, mas que se dedicaria a apontar os assombros que crescem nos desvãos da banalidade cotidiana. Como o Jesus menino do poema de Caeiro. Sua missão seria partejar "olhos vagabundos"...

Rubem Alves, 71, educador, escritor. Livros novos para crianças e adultos-crianças: "Os Três Reis" (Loyola) e "Caindo na Real: Cinderela e Chapeuzinho Vermelho para o Tempo Atual" (Papirus).

quarta-feira, 11 de março de 2015

Unidade

[...] John e eu estávamos preocupados agora. Só havia uma alternativa para esta saída, agora fechada para nós, e era remar rio acima no que havia se transformado em uma escuridão total. Silenciosa e calmamente, viramos a canoa e seguimos rio acima, procurando o canal certo que nos manteria fora da correnteza principal. Não esperávamos que a aventura tomaria aquele rumo, mas, de repente, tudo se fez necessário. John deveria conduzir a canoa com habilidade; eu deveria remar com força. Um erro de nossa parte e a forte correnteza viraria a canoa de lado, a encheria de água e arrastaria nossos filhos rio abaixo noite adentro.
Foi maravilhoso.
Nós conseguimos. Ele conseguiu. Eu consegui. Superamos o desafio trabalhando em conjunto, e o fato de que a situação exigia tudo o que eu tinha, que eu estava ali com minha família e pela minha família, que eu estava cercada de uma beleza selvagem e reluzente, e que era, bem, um pouco perigosa fez do momento... transcendente. Eu não era mais Stasi. Era Sacagawea, a Princesa índia do Oeste, uma mulher forte e valente.

Em Busca da Alma Feminina, Cap. 1
John & Stasi Edredge

Interessante, John e Stasi, ambos nessa aventura (não programada), foi necessário cada um desempenhar uma função diferente, mas em conjunto. Stasi precisou ajudá-lo com sua força, e John precisou ajudá-la com sua habilidade. Eles, juntos, puderam superar o desafio. Eles conseguiram! Stasi conseguiu! John conseguiu! 
É o presente da unidade. O fruto do companheirismo. A consequência de caminhar juntos, é exatamente isso, superar os desafios não mais sozinhos! Há alguns desafios, que são mais difíceis de vencê-los,  por isso é necessário caminhar juntos. 
Em primeiro esse texto me encanta, pela harmonia que há entre o casal, esposo e esposa. Que seja sempre assim. Que Deus restaure os casais. Que o Senhor restaure o amor. Que seja restaurada a cumplicidade. Mas, esta unidade, não necessariamente é só para um casal, é para todos nós - família, amigos, igreja. Quando, nós aprendermos a sair do nosso individualismo, e começarmos a caminhar com o outro, cooperando uns com os outros, muitos desafios que nos são até mesmo impossíveis poderão ser possíveis. 

Oro por restauração! Sejamos restaurados! Para louvor e glória de Deus!

Paz e Graça,
Priscila G. 


domingo, 8 de março de 2015

Eros


Não devemos obedecer incondicionalmente à voz de Eros quando ele fala como um deus. Nem nos cabe ignorar ou tentar negar a qualidade divina. Este amor é real e verdadeiramente igual ao próprio Amor. Existe nele uma legítima aproximação de Deus (por semelhança); mas não, nem necessariamente, uma proximidade de Abordagem. [...]

Eros, porém, honrado sem reservas e obedecido incondicionalmente, torna-se um demônio. E é justamente assim que ele exige ser honrado e obedecido. Divinamente indiferente aos nossos interesses pessoais, ele é também diabolicamente rebelde a todas as exigências de Deus ou do homem que lhe forem contrárias. 

[...] “No amor”, temos a nossa própria “lei”, uma religião só nossa, nosso próprio deus. Onde um Eros real se faz presente, a resistência às suas ordens representa uma apostasia, e o que são na verdade tentações (pelo padrão cristão) falam com a voz de deveres -’ deveres quase religiosos, atos de zelo piedoso para com o Amor.

Ele constrói sua própria religião à volta dos amantes. Benjamim Constant notou como o amor cria para eles, em poucas semanas ou meses, um passado conjunto que lhes parece imemorial. Recorrem continuamente ao mesmo com espanto e reverência, como os salmistas se reportam à história de Israel. Trata-se de fato do Velho Testamento da religião do Amor; o registro dos juízos e misericórdias do amor em relação aos seus escolhidos se compara ao momento em que eles souberam pela primeira vez que eram amantes. Depois disso, começa o seu Novo Testamento. Acham-se agora sob uma nova lei, sob o que corresponde à Graça nesta religião. São novas criaturas, O “espírito” de Eros sobrepõe-se a todas as leis, e eles não devem “entristecê-lo”.

Esse espírito parece sancionar toda espécie de atos que não teriam ousado cometer de outro modo. Não estou querendo dizer apenas, ou principalmente, atos contra a castidade; pois podem ser também atos de injustiça ou impiedade contra o mundo exterior. Parecerão provas de piedade e zelo para com Eros. O casal pode dizer um para o outro num estado de espírito quase sacrifical: “Foi por amor que negligenciei meus pais - deixei meus filhos - enganei meu cônjuge - abandonei meu amigo na hora de maior necessidade”. Essas razões na lei do amor passaram de todo. O discípulo pode até chegar a sentir um mérito especial nesses sacrifícios; pois que oferta mais valiosa pode ser depositada no altar do que a própria consciência?

E o tempo todo a pilhéria trágica é que este Eros cuja voz parece falar do reino eterno não é, ele mesmo, nem sequer necessariamente permanente, pois notoriamente é o mais mortal de nossos amores. O mundo ressoa com as queixas sobre a sua volubilidade. O que confunde é a combinação desta inconstância com seus protestos de permanência. Estar amando é tanto pretender como prometer fidelidade por toda a vida. O amor faz juramentos não solicitados, não podendo ser impedido de fazê-los. “Serei sempre fiel” são quase as primeiras palavras que profere. Não com hipocrisia, mas sinceramente. Nenhuma experiência irá curá-lo dessa ilusão.

Todos ouvimos falar de pessoas que se apaixonam repetidamente; sinceramente convencidas a cada tentativa que “desta vez é para sempre”, que sua busca terminou, que encontraram seu verdadeiro amor e que serão fiéis até a morte.

Eros porém num certo sentido tem o direito de fazer esta promessa. A ventura de estar amando é de tal natureza que estamos certos em rejeitar como intolerável a ideia de que, o acontecimento talvez seja transitório. De um só pulo ele transpôs a parede espessa do nosso “eu”; tornou altruísta o apetite em si, jogou para o alto a felicidade pessoal como uma trivialidade e plantou os interesses de outrem no centro de nosso ser. Espontaneamente e sem qualquer esforço cumprimos a lei (em relação a uma pessoa) de amar nosso próximo como a nós mesmos. Trata-se de uma imagem, uma antecipação, do que devemos tornar-nos para todos se o próprio Amor imperar em nós sem um rival. Existe até mesmo um preparo para isso. Deixar de amar novamente é - se posso inventar essa feia palavra - uma espécie de desredenção.

Eros é impelido a prometer o que Eros por si mesmo não pode cumprir. Será que vamos nos manter nesse estado de liberdade altruísta a vida inteira? Talvez nem mesmo uma semana. Entre os melhores amantes esta condição é intermitente. O velho “eu” logo mostra não estar tão morto corno parecia como acontece depois de uma conversão religiosa. Em qualquer dos casos ele pode achar-se momentaneamente inconsciente, mas logo se levantará; se não ficar de pé, pelo menos se porá de joelhos; se não rugir, pelo menos vai voltar aos seus resmungos mal-humorados ou seus queixumes. E Vênus escorregará de volta à simples sexualidade.

Esses lapsos não destruirão porém uma união entre duas pessoas “decentes e sensatas”. O casal cujo matrimônio correrá certamente um risco ou talvez venha a ser destruído é aquele que fez de Eros um ídolo. Pensaram que ele tinha o poder e a fidelidade de um deus. Esperavam que esse simples sentimento fizesse por eles tudo o que fosse necessário, e isso permanentemente. Quando essa expectativa não se realiza jogam a culpa sobre Eros ou, no geral, sobre os seus parceiros. Na verdade, porém, Eros, depois de ter feito sua promessa gigantesca e lhe mostrado vislumbres do que seria a sua realização, “fez a sua parte”. Como um padrinho ele faz os juramentos, mas somos nós que devemos cumpri-los.

Cabe-nos fazer as obras de Eros quando ele não se acha presente. Todos os bons amantes sabem disso, embora os que não forem refletidos ou articulados só poderão expressar essa ideia em algumas frases convencionais, tais como: “aceitar de boa mente o lado bom e o mau”, não “esperar demasiado”, ter “um pouco de senso comum”, e outras. Todos os bons amantes cristãos sabem que este programa, por mais modesto que ele soe, não poderá ser executado sem humildade, caridade e graça divinas; que ele é na verdade toda a vida cristã observada de um determinado ângulo.

Eros então, como os demais amores, mas fazendo mais impacto por causa de sua força, doçura, terror e elevado propósito, revela sua verdadeira posição. Ele não pode de si mesmo ser aquilo que deve ser se mantiver como Eros. Ele precisa de ajuda, portanto, precisa ser governado. O deus morre ou se transforma num demônio a não ser que obedeça a Deus. Seria melhor em tal caso que sempre morresse. Mas pode continuar vivendo, impiedosamente acorrentando dois atormentadores mútuos, cada um repleto do veneno do ódio no amor, cada um voraz para receber e implacavelmente recusando-se a dar, ciumento, suspeitoso, ressentido, lutando pelo domínio, determinado a ser livre sem permitir liberdade, vivendo de “cenas”. Leia Ana Karenina e não pense que tais coisas só acontecem na Rússia. A velha hipérbole de os amantes “comerem” um ao outro pode aproximar-se terrivelmente da verdade.

Quatro amores, 
C.S. Lewis 

sexta-feira, 6 de março de 2015

O marido é a cabeça da esposa somente até o ponto em que seja para ela o que Cristo é para a igreja. Deve amá-la como Cristo amou a igreja - leia adiante - e deu sua vida por ela (Ef 5:25). Esta liderança então é mais bem incorporada não no marido que todos desejaríamos ser, mas naquele cujo casamento se assemelha mais a uma crucificação; cuja esposa recebe mais e retribui menos, é menos digna dele, é menos digna de amor (em sua condição natural). Pois a Igreja não tem beleza senão aquela que lhe confere o Noivo; ele não a encontra bela, mas lhe dá beleza. A confirmação desta terrível realeza não se manifesta nas alegrias do casamento de quem quer que seja, mas nas suas tristezas, nas doenças e sofrimentos de uma boa esposa ou nas faltas da esposa má, em seus cuidados incansáveis (e nunca ostentados) ou sua capacidade inesgotável de perdão; perdão, e não aquiescência. Da mesma forma que Cristo vê na Igreja terrena imperfeita, orgulhosa, fanática ou morna aquela Noiva que um dia se apresentará sem mancha nem ruga, e se empenha em produzi-la, também o marido cuja liderança se assemelha à de Cristo (e não lhe é permitida nenhuma outra) jamais desespera. Ele é um rei Cophetua que depois de vinte anos ainda espera que a pequena mendiga aprenda um dia falar a verdade e lavar-se atrás da orelha.
Dizer isto não é afirmar que possa haver qualquer virtude ou sabedoria em fazer um casamento que envolve tanta miséria. Não existe bom senso nem virtude em buscar o martírio desnecessário ou cortejar deliberadamente a perseguição; todavia, é justamente no cristão perseguido ou martirizado que o modelo do Mestre é mais claramente concretizado. Assim sendo, nesses casamentos terríveis, uma vez consumados, a “liderança” do marido, caso possa mantê-la, é mais semelhante a Cristo. [...]

Quatro amores, 
Cap. "Eros", C.S. Lewis

quinta-feira, 5 de março de 2015

A Bíblia

Ela é santa, infalível, verdadeira e completamente leal. (Pv 30:5-6, Jo 1717, Sl 119:89)
Ela é capaz de me ensinar, repreender, corrigir e instruir em justiça. (2 Timóteo 3: 16)
Ela me torna apto e plenamente preparado para toda boa obra. (2 Timóteo 3: 17)
Ela é lâmpada para os meus pés e luz para o meu caminho (Salmos 119:105)
Ela me torna mais sábio que os meus inimigos. (Salmos 119:97-100)
Ela me traz estabilidade durante as tempestades da minha vida. (Mateus 7:24-27)
Se eu crer em sua verdade, serei liberto. (João 8:32)
Se eu a esconder em meu coração, serei protegido em tempos de tentação.
Se eu permanecer firme na Palavra, serei verdadeiramente um discípulo de Jesus. (Jo 8:31)
Se eu meditar em suas palavras, serei bem-sucedido. (Josué 1:8)
Se eu guardá-la, serei recompensado e o meu amor aperfeiçoado. (Sl 19:7-11, 1 João 2:5)
Ela é a viva, eficaz e penetrante Palavra de Deus. (Hebreus 4:12)
Ela é a Espada do Espírito. (Efésios 6:17)
Ela é mais doce que o mel e mais desejável que o ouro. (Salmos 19: 10)
Ela é indescritível e para sempre firmada no céu. (2 Coríntios 13:7-8, Salmos 119:89)
Ela é a verdade absoluta sem mistura e sem erro. (João 1717, Tito 1:2)
Ela contem verdades absolutas sobre Deus. (Romanos 3:4, Romanos 1625,27; Colossenses 1)
Ela contem verdades absolutas sobre os homens. (Jr 17:9, Salmos 8:4-6)
Ela contem verdades absolutas a respeito do pecado. (Romanos 3:23)
Ela contem verdades absolutas sobre a salvação. (Atos 4:12, Romanos 10:9)
Ela contem verdades absolutas sobre o céu e o inferno. (Apocalipse 21:8; Salmos 119:89)
Senhor, abre os meus olhos para que eu veja a verdade e os meus ouvidos para ouvirem a verdade. Abra meu coração para recebê-la pela Fe. Renove a minha mente para guardar a esperança. Entrego a minha vontade para que eu possa viver a Tua Palavra em amor. Lembra-me que sou responsável quando a ouço. Ajuda-me a querer obedecer o que o Senhor diz através da Palavra. Transforme a minha vida para que eu venha conhecer a Tua Palavra. Aflija meu coração para que eu compartilhe a Tua Palavra. Fale agora Senhor. Da-me paixão para conhecer e seguir a Tua vontade. Nada mais. Nada menos. Apenas isso.

Trecho retirado do livro: 
O Desafio de Amar, BV Filmes.

Quando não há palavras

Quando não há palavras Não sei por onde começar, as palavras tropeçam antes de nascer. O coração fala alto, mas a boca não acompanha. Trago ...